Quando eu
me assumi feminista, mesmo sem entender direito o que isso significava, passei
por uma série de situações constrangedoras. Muitos (muitos!) homens me agrediram
verbalmente, tentaram deslegitimar a minha luta e vomitaram vários estereótipos
que se têm a respeito das ativistas. Na época,
eu não sabia lidar com isso, mas segui firme no que eu acreditava.
Com o passar do tempo, percebi que a maioria desses homens começou a conversar comigo sobre o feminismo, postavam em suas redes sociais e esperavam que eu desse um troféu de homemsalvadordapátriaedalutasdasminorias. O que graças à deusa, nunca ocorreu.
Com o passar do tempo, percebi que a maioria desses homens começou a conversar comigo sobre o feminismo, postavam em suas redes sociais e esperavam que eu desse um troféu de homemsalvadordapátriaedalutasdasminorias. O que graças à deusa, nunca ocorreu.
E eu vou
explicar o motivo: eu não sei o que me deixa mais irritada: o machistinha que
não reconhece as baboseiras que faz, ou o famoso “esquerdo-macho” aquele cara
que diz ser a favor da igualdade de gêneros, mas acredita que o feminismo
propaga mais ódio, logo, o ideal seria lutar pelo “humanismo”. No fim das
contas eles são a mesma coisa: querem manter o protagonismo, silenciar e
oprimir.
A questão
é que o cara machista é fácil de identificar. O esquerdo-macho não.
Ele é o
cara de esquerda envolvido nas questões sociais, lê Nietzsche, prefere um
boteco copo sujo à uma balada, ouve Coltrane e ainda é barbudo: o homem que eu
pediria em casamento. Se não fosse, é claro, mais um babaca que não reconhece
os privilégios que o patriarcado lhe concedeu.
Esse cara
é aquele que se diz apoiador das causas das mulheres (alguns até ousam se
intitular como feministas), mas acha que somos radicais em muitos pontos e
querem nos ensinar a reivindicar direitos. Aliás, as pautas que você não
critica são aquelas sobre liberdade sexual, não é? Porque aí te beneficia.
Somos
radicais, sabe por que, homem gracinha? Queremos atingir um patamar em que você
está desde os primórdios. Engraçado, nunca te vi falando que os sindicalistas
são radicais ou que os funcionários devem ser mais dóceis com o patrão.
Esses
homenzinhos hétero, na maioria das vezes brancos, da paz, energia legalize,
focados no seu umbiguinho gente boa, são tão babaquinhas que vêm nos chamar no
bate papo pra falar do "ódio" praticado pelas minorias que tomam
"tudo" como preconceito e respondem de maneira raivosa antes de
qualquer coisa.
Quando argumentamos que essa raiva é uma resposta e fruto de um histórico de discriminação e que
ainda que não ideal, é necessário, o homenzinhogenteboaenergiagracinhadobem
resolve encerrar a discussão porque ele (como pode?) não ganhou nossa aprovação
e não conseguiu colecionar estrelinha em seu diário de boas ações que confirmam
que ele é um cara legal.
Nós
lutamos por igualdade, pelo empoderamento e para termos mais espaços que
discutam nossas pautas. E antes que você fale que é exagero, que nós,
feministas de esquerda, queremos falar apenas sobre mulheres, vai um aviso: meu
feminismo é interseccional. A luta contra a desigualdade social, o combate a
pobreza, ao racismo e toda forma de preconceito também são discutidas.
Esse texto
é pra você, floquinho de neve sofrido, que paga de feminista na internet, mas
compartilha o vídeo da novinha pelada no whatsapp.
Beijos de
luz <3
;)
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